22 outubro, 2006

España, non te aburres.


Estes iberos estão todos loucos. Bastou uma sondagem a uns míseros 741 portugueses, na qual pouco mais de duzentos (27,7 %) responderam que “preferiam ser espanhóis”, para no outro lado da fronteira uns quantos coitados dessem pulos de contentamento e corressem a averiguar se também os espanhóis gostariam de uma união com Portugal. A pergunta foi feita a 588 “hermanos” dos quais, espanto dos espantos, 43,4 % responderam sim, que Portugal era muito bem integrado na grande Espanha. Só 43,4 % ?... Afinal ainda há esperança para Espanha. Andava eu convencido que do lado de lá pelo menos 97% ( os 3% restantes seriam dos habituais “não sei”, “não tenho conhecimento”) estavam desertinhos por nos ferrar o dente. E digo ferrar o dente por isso mesmo, porque os “muchachos” que por cá demandam vêm à procura de comida (bacalao, cozido à ... ) a sério para esquecerem o desastre completo que é comer num qualquer restaurante espanhol. Se eles cozinhassem tão bem como falam alto!.. Pois é com profundo agrado que registo que tão poucos espanhóis se queiram misturar com a malta portuga. Parece que aquela gente começa a demonstrar algum bom senso, pois se eles não se entendem a eles próprios porque quereriam mais lenha na fogueira?
Quanto aos 27,7 % de portugueses que responderam não se importarem de ser espanhóis, esses estão cheios de razão, e quem não os compreende (como os espanhóis não compreenderam) são aqueles que, não sendo de cá, não percebem as idiossincrasias da nossa gente. Com os ventos que agora correm na terra lusa, quando o látego começa a atingir todos, há sempre portugueses desertos por fugir, seja para Espanha seja para outro qualquer lugar. Por isso penso que seria interessante e instrutivo fazer uma sondagem a indagar que percentagem de portugueses gostaria que o seu país se tornasse no 51º estado americano? Não sei qual o resultado, mas avanço uma probabilidade: 25% contra ( 8% dos reformados que ainda votam no PCP, 2% de bloquistas de base que usam burka sempre que se viram para ocidente, e 15% de socialista que ainda mantêm algum bom-senso) e 75% a favor (funcionários públicos, alguns autarcas, professores, médicos e juízes, somando os todos os madeirenses que começam a temer pelo subsídio do Alberto João. Ah, ia-me esquecendo, o Pacheco Pereira também...).

Paul Cézanne - Centenário da sua morte

As Grandes Banhistas

Com 67 anos de idade, morreu vítima de tuberculose. Artista maior das paisagens e das naturezas mortas — embora tenham também pintado figuras humanas em retratos e grupos — foi um impressionista que criou uma linguagem própria percursora da arte moderna.
Filho de um rico homem, que ao morrer lhe deixou uma considerável fortuna, conviveu com alguns grandes nomes da arte, como o escritor Émile Zola ( amigo de infância e companheiro de escola) ou com os também pintores Camille Pissarro (seu mestre e patrono), Monet e Renoir . Mas Cézanne era um ser depressivo, solitário, excêntrico e muito obstinado, a quem a fortuna do papá parece não ter trazido felicidade alguma, a não ser o facto, pouco normal, de não ter vivido e morrido na miséria como a maioria dos seus colegas artista da época. Nós congratulamo-nos, porque esse perfil psicológico deixou-nos um acervo de obras extraordinárias.
E como estamos no Outono e o tempo corre feio aqui vos deixo um alerta: Cézanne tinha por hábito pintar ao ar livre na sua Aix-en-Provence natal, mesmo em Outubro. Exposto ao frio e à chuva, primeiro veio uma gripe, depois uma pneumonia e por fim a morte nesse dia 22 de Outubro de 1906.
Como entrámos na “época oficial” das gripes e a tuberculose ainda mata bastante por cá ... cuidemo-nos nós, que somos simples mortais, distantes de Cézanne que já tinha em si o gene da imortalidade.

20 outubro, 2006

Primeiro aviso à navegação: não sou músico nem toco qualquer instrumento. Nem de uma simples harmónica de boca consigo extrair qualquer coerência sonora. Apenas assobio e gorjeio canções que em mim ficaram impressas. Mas tenho ouvido. Pode dizer-se que sou um melómano. A música foi uma descoberta de jovem adulto, a par com o interesse pelas singularidades da sociedade que me cercava. Aprendi mais democracia nas sinfonias de Beethoven que nos discursos dos políticos. Neste momento, enquanto escrevo, ouço o segundo andamento da 7ª Sinfonia de Beethoven, e tudo se encaixa. Mesmo nos tempos difíceis das injustiças e das dúvidas nunca necessitei de anti-depressivos ou outra qualquer droga. Em Beethoven encontro a força e o sentido vida, Mozart mostra-me como é bom estar vivo e Mahler mexe com o mais íntimo de mim, porque me questiona. A sociedade irrequieta-me, a música aquieta-me.