21 agosto, 2008

Primavera de Praga.

Hoje o Verão está envergonhado. O céu pinta-se de manchas cinza e negro, caíram uns chuviscos brincalhões e o sol vai acenando numa dança de esconde-esconde com as nuvens. Mas está algum calor, um pouco abafado. O Verão está mesmo envergonhado... talvez sinta saudades da Primavera.
Quarenta anos atrás, 1968, vinte e um dias do mês de Agosto. Os tanques soviéticos irrompem por Praga, um jovem de quinze anos enfrenta-os, a metralha deixa no chão um corpo moribundo numa poça de sangue. O sonho de um socialismo de rosto humano, gerado no seio da própria alma comunista, estava desfeito. O despotismo e autoritarismo da URSS estavam de novo repostos. O sonho checo de uma Primavera no Verão nunca se realizaria. O comunismo soviético ensaiou nesse dia os primeiros passos de um caminho que o levaria ao seu fim.
Mas estas Primaveras extemporâneas são quase sempre sonhos e deixam-nos, impressos, sabores amargos e muita nostalgia. Lembro-me tão bem !
Praga foi ocupada, mas eu, nesse dia, iniciei a minha libertação e outras Primaveras vivi.

Smetana, homenagem ao rio Vltava (Moldava) que Praga abraça. E a nostalgia sempre presente.