04 outubro, 2009

03 outubro, 2009

Que Cavalos São Aqueles Que fazem Sombra no Mar?

Saiu o 24º romance de António Lobo Antunes. Se já é habitual os títulos de ALA serem desconcertantes, este tem a particularidade de me inquietar de forma estranha. Ando com esta frase, desde o primeiro dia que a ouvi, agarrada ao pensamento como lapa na pedra. Tenho de me libertar e saber que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar. Há muito que o título de um livro não me intrigava tanto.



«A acção decorre no Ribatejo, numa quinta onde se criam toiros.
A mãe está a morrer e cada um dos filhos fala e conta a sua história, que se cruza com a história dos outros.
Francisco, que odeia os irmãos e espera apropriar-se de tudo quando a mãe morrer; João, o preferido da mãe, pedófilo, que engata rapazinhos no Parque Eduardo VII; Beatriz, que engravidou e teve de casar cedo; Ana, a mais inteligente, drogada e frequentadora dos mais sinistros lugares onde se trafica droga.
Há ainda a figura do pai, que vai perdendo ao jogo a fortuna da família, na obsessão de que o número 17 lhe há-de trazer a sorte.
E finalmente Mercília, a criada que os criou a todos e que sabe todos os segredos.»
(Dom Quixote)

Roberto Bolaño - 2666


Comecei a ler "2666". Não é tarefa leve, porque, para além das suas mais de mil páginas, exige leitura atenta e ponderada. As primeiras cinquenta páginas deixam-me a inquietude das longas horas de vigília que se seguirão. Caminhemos.

Deixo aqui o comentário de quem já o leu:

«Eu acho que Roberto Bolaño é uma grandes revelações da literatura do nosso tempo. 2666 é a redescoberta do extraordinário poder do romance e da literatura. (...) Depois de ter lido Bolaño a nossa vida muda um pouco. Quer dizer, não se pode esquecer aquilo que ele deixou escrito, e que é uma tempestade, uma torrente, um delírio - como deve ser a literatura.»

Francisco José Viegas, director editorial da Quetzal, em declarações à Lusa.

Jogos Olímpicos 2016 - Cidade Maravilhosa

O Rio de Janeiro, o Brasil e a América do Sul merecem.


01 outubro, 2009

Falou, insinuou, nada explicou.

Afinal o Presidente fala. Mas bem pior que o facto de não ser dotado para a função, - retórica e não só - cala-se quando devia falar, abre a boca quando seria preferível mantê-la fechada. Mas houve um momento em que gostei de o ver abrir a boca e ser genuíno ...




Mas, falar por falar, palavras por palavras, prefiro...


Tango, património da humanidade.

23 abril, 2009

Dias da Música

Este fim de semana no CCB, em Lisboa.




Vamos até lá tentar esquecer os gloriosos dias da fenecida Festa da Música.
Este ano o tema é A Herança de Bach.
Teremos então muito Bach, mas também, Beethoven (atenção para domingo dia 26, no Grande Auditório, às 17 horas, a Sétima Sinfonia, pela Orquestra de Câmara Portuguesa, com direcção de Pedro Carneiro), Mozart, Haydn, Schumann, Britten, Brahms, Mendelssohn, Shostakovich ...
Muita música e para todas as idades. As actividades para os mais novos são aliciantes.
Música para ouvir, ver, saborear, cheirar... um regalo para os sentidos, e com preços convidativos.
O melhor é consultar o programa.


Livros inquietos.


Dia Mundial do Livro. A propósito ...

Há livros de que até gostamos quando os lemos pela primeira vez, mas aos quais raramente voltamos. Acabam arrumados na estante e só em poucas ocasiões saem do seu lugar. Sabemos quem são, reconhecemo-los quando corremos os olhos pelas lombadas, relembramos uma ou outra passagem, mas ficam lá, sossegados.
Outros livros têm um estatuto especial, porque nos tocaram de alguma forma, porque tiveram o condão de nos impregnar e quase serem parte de nós, porque nos ensinaram a olhar e a sentir. Estes livros especiais, ao contrário dos outros, são livros inquietos. Estão pouco tempo arrumados, saltam constantemente da estante para a mesa trabalho, seguem-nos até ao sofá da sala, vão até ao quarto e dormem ao nosso lado, na mesa-de-cabeceira, perseguindo-nos nos sonhos. Até têm o privilégio de saírem amiúde da sua prisão domiciliária e acompanharem-nos, em calmos passeios, ao jardim público ou até à mesa do bar habitual, na fragrância de um café.

- As Vinhas da Ira – John Steinbeck
- A Um Deus Desconhecido - John Steinbeck
- O Fio da Navalha – W. Somerset Maugham
- Por Quem os Sinos Dobram – Ernest Hemingway
- As Verdes Colinas de África - Ernest Hemingway
- O Som e a Fúria – William Faulkner
- A Curva do Rio –V. S. Naipaul
- Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez
- Os Maias – Eça de Queiroz
- O Aleph – José Luís Borges
- O Estrangeiro – Albert Camus
- Os Versículos Satânicos – Salomon Ruschdie
- O Pêndulo de Foucould – Umberto Eco
- A Criação do Mundo – Miguel Torga
- A Serpente Emplumada – D. H. Lawrence
- Palomar – Italo Calvino
- Memorial do Convento – José Saramago
- Os Centuriões – Jean Lartéguy
- Siddhartha – Hermann Hess
- O Lobo das Estepes – Hermann Hess

A ordem da lista é aleatória, ou talvez não... Foi feita ao critério da memória, o que poderá levar a outras interpretações pseudo-psicológicas. E como a memória é o que é, amanhã, de certeza, irei notar a falta de alguns, aquando mais uma das minhas intermináveis e inconsequentes arrumações da biblioteca. Porque existem livros inquietos...

Os ensaios são mais versáteis, andam na corrente dos interesses de momento e estão em constante mutação. Mas os disciplinas não são muitas: Sociologia, História e Antropologia, e dentro destas áreas, em especial, as dedicadas à Arte, à Religião e à Arquitectura.
À parte estes, muitos livros dedicados a África - à sua história passada e recente, aos seus povos e sociedades, à sua cultura e ao seu futuro.

17 fevereiro, 2009

Giordano Bruno


Giordano Bruno, nascido em Roma em 1548, foi queimado neste dia 17 de Fevereiro na fogueira da Inquisição romana, decorria o ano de 1600, acusado de heresia. Bruno foi um pensador que, ao contestar a Santíssima Trindade, foi rotulado de herege pela Igreja, tendo, por este motivo, abandonado o hábito dominicano — em cuja Ordem se tinha doutorado em teologia.
Defensor do humanismo a sua obra viria mais tarde a influenciar o pensamento filosófico de Espinoza.
Mais uma vítima da intolerância de alguns que, ontem como hoje, se julgam donos das ideias e guardiães da sociedade. Neste século em que a intolerância, em vez de banida, assume novas e tão variadas formas, talvez faça bem recordar a história.