23 abril, 2009

Dias da Música

Este fim de semana no CCB, em Lisboa.




Vamos até lá tentar esquecer os gloriosos dias da fenecida Festa da Música.
Este ano o tema é A Herança de Bach.
Teremos então muito Bach, mas também, Beethoven (atenção para domingo dia 26, no Grande Auditório, às 17 horas, a Sétima Sinfonia, pela Orquestra de Câmara Portuguesa, com direcção de Pedro Carneiro), Mozart, Haydn, Schumann, Britten, Brahms, Mendelssohn, Shostakovich ...
Muita música e para todas as idades. As actividades para os mais novos são aliciantes.
Música para ouvir, ver, saborear, cheirar... um regalo para os sentidos, e com preços convidativos.
O melhor é consultar o programa.


Livros inquietos.


Dia Mundial do Livro. A propósito ...

Há livros de que até gostamos quando os lemos pela primeira vez, mas aos quais raramente voltamos. Acabam arrumados na estante e só em poucas ocasiões saem do seu lugar. Sabemos quem são, reconhecemo-los quando corremos os olhos pelas lombadas, relembramos uma ou outra passagem, mas ficam lá, sossegados.
Outros livros têm um estatuto especial, porque nos tocaram de alguma forma, porque tiveram o condão de nos impregnar e quase serem parte de nós, porque nos ensinaram a olhar e a sentir. Estes livros especiais, ao contrário dos outros, são livros inquietos. Estão pouco tempo arrumados, saltam constantemente da estante para a mesa trabalho, seguem-nos até ao sofá da sala, vão até ao quarto e dormem ao nosso lado, na mesa-de-cabeceira, perseguindo-nos nos sonhos. Até têm o privilégio de saírem amiúde da sua prisão domiciliária e acompanharem-nos, em calmos passeios, ao jardim público ou até à mesa do bar habitual, na fragrância de um café.

- As Vinhas da Ira – John Steinbeck
- A Um Deus Desconhecido - John Steinbeck
- O Fio da Navalha – W. Somerset Maugham
- Por Quem os Sinos Dobram – Ernest Hemingway
- As Verdes Colinas de África - Ernest Hemingway
- O Som e a Fúria – William Faulkner
- A Curva do Rio –V. S. Naipaul
- Cem Anos de Solidão – Gabriel Garcia Marquez
- Os Maias – Eça de Queiroz
- O Aleph – José Luís Borges
- O Estrangeiro – Albert Camus
- Os Versículos Satânicos – Salomon Ruschdie
- O Pêndulo de Foucould – Umberto Eco
- A Criação do Mundo – Miguel Torga
- A Serpente Emplumada – D. H. Lawrence
- Palomar – Italo Calvino
- Memorial do Convento – José Saramago
- Os Centuriões – Jean Lartéguy
- Siddhartha – Hermann Hess
- O Lobo das Estepes – Hermann Hess

A ordem da lista é aleatória, ou talvez não... Foi feita ao critério da memória, o que poderá levar a outras interpretações pseudo-psicológicas. E como a memória é o que é, amanhã, de certeza, irei notar a falta de alguns, aquando mais uma das minhas intermináveis e inconsequentes arrumações da biblioteca. Porque existem livros inquietos...

Os ensaios são mais versáteis, andam na corrente dos interesses de momento e estão em constante mutação. Mas os disciplinas não são muitas: Sociologia, História e Antropologia, e dentro destas áreas, em especial, as dedicadas à Arte, à Religião e à Arquitectura.
À parte estes, muitos livros dedicados a África - à sua história passada e recente, aos seus povos e sociedades, à sua cultura e ao seu futuro.

17 fevereiro, 2009

Giordano Bruno


Giordano Bruno, nascido em Roma em 1548, foi queimado neste dia 17 de Fevereiro na fogueira da Inquisição romana, decorria o ano de 1600, acusado de heresia. Bruno foi um pensador que, ao contestar a Santíssima Trindade, foi rotulado de herege pela Igreja, tendo, por este motivo, abandonado o hábito dominicano — em cuja Ordem se tinha doutorado em teologia.
Defensor do humanismo a sua obra viria mais tarde a influenciar o pensamento filosófico de Espinoza.
Mais uma vítima da intolerância de alguns que, ontem como hoje, se julgam donos das ideias e guardiães da sociedade. Neste século em que a intolerância, em vez de banida, assume novas e tão variadas formas, talvez faça bem recordar a história.

18 novembro, 2008

A Universidade Portuguesa entre 17 países desenvolvidos.

Somos cidadãos de um País que se lamenta por tudo e por nada, em qualquer sítio e em qualquer altura. Além disso existe na epiderme desta sociedade um manifesto sentimento de inferioridade que salta cá para fora ao mais pequeno ensejo. Somos sempre os piores em comparação com o que é estrangeiro. Em quase tudo — a excepção é o futebol, com os seus picos de bestiais e bestas — o nosso sentimento, ou pelo menos, a expressão do mesmo, é de que tudo aquilo que por aqui se faz é inferior ao que é feito noutros países. Para a maioria dos portugueses basta atravessar a fronteira e estamos num outro mundo, logo mais desenvolvido e civilizado.
É o nosso “fado” dizem alguns. Melhor seria que a canção nacional passasse a ser o fandango...
Como é de esperar, também a nossa Universidade — se perguntado a qualquer nativo — parece ser a pior que existe, no mundo e arredores. Parece. E no entanto percebe-se que não é.

Burros, mas não tanto!...

Luís de Freitas Branco, "Fandango" da Suite Alentejana nº 1

07 novembro, 2008

"All Things Are Possible"


Propositadamente deixei passar alguns dias para comentar a eleição de Barack Obama como próximo presidente dos EUA. Para acalmar e entender. Na minha – ainda (?) – curta existência vivi alguns factos que marcaram os últimos decénios da nossa civilização. Lembro-me dos assassínios de John F. Kennedy e de Martin Luther King, da Guerra do Vietname, do Maio de 68 e da Primavera de Praga, dos primeiros passos do Homem na Lua, da Guerra dos Seis Dias, do 25 de Abril, da “perestroika” na URSS e do desmoronar do muro de Berlim, do fim do “apartheid” e da libertação de Nelson Mandela, da guerra ao Iraque e do 11 de Setembro. Entre outros, estes foram acontecimentos que me tocaram – uns mais, outros menos – de diferentes maneiras. Vivi uns com temor e assombro, outros deslumbraram-me. Alguns fizeram-me meditar sobre a condição humana, e outros ainda vivi-os com alegria e entusiasmo.
A vitória de Barack Obama irá ficar na minha memória como um dos acontecimentos que vivi com mais esperança. É sem dúvida um dos momentos mais fracturantes na evolução da sociedade dos humanos, pelas expectativas de mais tolerância entre todos e pela ruptura imposta a ideologias e formas de pensamento que ainda vão fazendo alguma escola. É um ponto de viragem de tal ordem que muitos o julgavam impossível. Mas aconteceu. “All things are possible” tanto na América como, a partir de agora, no resto do Mundo.

Será esta uma re(Criação) do Mundo?

Joseph Haydn - A Criação

16 outubro, 2008

Foi-se a alegria.

Noutros fóruns tenho dito várias vezes que não acredito neste seleccionador nacional. Ao cinzentismo de Queiroz, ao seu futebol de certezas matemáticas ( mas o futebol não é, antes de mais, um jogo? ), prefiro mil vezes o tropicalismo mestiço de “Filipão” Scolari, os seus erros tácticos, as suas zurzidelas em jornalistas ignaros, e todos os seus “afilhados”. Mas, pelo menos, divertia-me a ver futebol.



E também será bom não esquecer que Scolari ajudou este País a redescobrir-se, a "achar-se" através do futebol e a libertar-se do fado-tristeza que ancestralmente o assola. Para a história futura ficarão aqueles momentos em que este povo sentiu um grande orgulho em ser português.



Futebol sem imaginação, sem arte, sem alegria, não é futebol ...é trabalho, monótono e aborrecido.

Afinal, ele não sabe...

Carlos Queiroz, após o Portugal-Albânia (0-0):

“...devo dizer, em abono da verdade, que não sei o que fazer mais para ganharmos um jogo”.
Não sabe?... Então o que está lá a fazer?


Chopin - Tristesse - Chanson de L'Adieu






Queiroz, provavelmente, a perguntar ao técnico principal como ganhar um jogo. Para mal da nossa selecção é isso mesmo que nos faz falta: um Técnico Principal, pois adjunto qualificado já lá temos...


O clima a mudar - 2

O mundo "…enfrenta a problemática do direito humano à água e a exigência de políticas públicas para enfrentar esta realidade" , já...